Filme "O Drama"
- fraansimon
- 18 de jun.
- 2 min de leitura
O quanto se pode realmente conhecer alguém?
Assisti esses dias o filme O Drama, um filme que gira em torno de um casal de noivos que responde essa pergunta um pro outro: "qual foi a pior coisa que você já fez na vida?". Diante da resposta da noiva, algo se quebra no personagem, ele entra em parafusos e não consegue mais enxergá-la do mesmo jeito
Existe uma certa ilusão de que, dentro de um relacionametno, é possível atingir um nível de conhecimento sobre o outro onde não restam surpresas. Mas o filme mostra o quanto é impossível habitar totalmente a verdade de alguém. Ora, nem a nossa própria, pois como já dizia Freud, o eu não é senhor em sua própria morada. Tem algo de inconsciente que nos rege, portanto, se nem a nós mesmos é possível conhecer inteiramente, quem dirá ao outro.
Uma dose de fantasia é necessária pro encontro acontecer. Quando nos relacionamos, nos relacionamos com a ideia que temos do outro, e o outro, com aquilo que escolhemos mostrar. Não se trata de falsidade, a fantasia é estrutural pro amor. As subjetividades nunca se encontram por completo, algo sempre fica de fora. E ao tentar saber tudo, algo dessa idealização corre sério risco de sair, e o outro virar um estranho. Quando não é possível atravessar essa quedra, o encontro amoroso se desfaz.
Mas saber que nunca nos apresentamos como somos, e sim como gostaríamos de ser pode trazer um certo alívio na busca pela completude. Talvez a única garantia que temos seja a de que sempre vamos habitar um terreno um pouco desconhecido nas relações. E talvez seja justamente isso que faz com que um encontro seja possível de acontecer, e de continuar acontecendo.


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