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O analista como um erro de pessoa

  • fraansimon
  • 18 de jun.
  • 1 min de leitura

Lacan vai se utilizar desse termo pra falar do fenômeno da transferência em análise. O paciente que chega, deposita sobre nós a suposição de que sabemos algo sobre ele que ele não sabe (ainda) sobre si. A partir desse laço, o paciente dirige ao analista o lugar de grande Outro (esse que tudo sabe, tudo consegue). 

Vejam como é perigoso, para nós analistas, cair na tentação desse lugar que nos é dado. Cair na ideia de que realmente sabemos e temos a resposta. Mas o que o paciente deposita sobre nós é sobre nossa posição de analista, não sobre nós como pessoas, com nosso caráter e nossas qualidades. Por isso, há um "erro de pessoa".

  Mas na verdade penso que não somos nem a pessoa certa nem a pessoa errada. Se não, podemos acabar por tomar pra nós os louros quando um processo caminha bem, ou de levar pro pessoal quando algo não sai como imaginamos, como se fôssemos nós os responsáveis pelo que acontece numa análise. 

A ética da psicanálise não é a ética do bem fazer, do curar, do saber, mas a ética do desejo. Do desejo do analista em sustentar um espaço onde o paciente possa, ele mesmo, encontrar algo sobre si. Somos menos um destino e mais um veículo.

E é justamente isso que nos mantém advertidos: saber que o lugar que ocupamos na transferência é poderoso não por quem somos, mas pelo que representamos, e que é exatamente esse saber que nos impede de abusar dele.


 
 
 

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